Tinha uma menina que certa vez leu uma frase que dizia
assim: Se o tempo curasse tudo, as farmácias venderiam relógios. E o que ela
passava naquele momento fez com que ela usasse aquela frase como lema de sua
vida, e saiu por aí dizendo e repetindo para si e para os outros a frase,
talvez se ela repetisse tantas vezes, ela ia conseguir acreditar naquilo... O
mais irônico é que o tempo mostrou para ela que a frase não era verdade. E sim,
o tempo cura tudo, e mesmo que tenha milhões
de coisas que ele não apaga, ele cura, ah e como cura.
O tempo é muito mais poderoso que qualquer um de nós!
E tudo isso me fez lembrar de quando eu tinha 8 anos e estava na escola, uma professora me contou uma história, a história da "Ilha dos Sentimentos".
A história é assim: Houve um tempo em que numa ilha muito pequena, confundida com o paraíso, habitavam os sentimentos como habitados hoje na Terra. Nesta ilha, viviam em harmonia o Amor, a Tristeza, a Sabedoria, a Vaidade, a Alegria, a Riqueza e todos os outros sentimentos. Um dia, num desses em que a natureza parece revoltar-se, o Amor acordou apavorado porque sentiu que sua ilha estava sendo inundada. Mas esqueceu-se logo do medo que sentia e cuidou para que todos os sentimentos se salvassem. Todos correram e pegaram seus barcos e fugiram para um morro bem alto, de onde poderiam ver toda a ilha sendo inundada mas sem que corressem perigo. Só o Amor não se apressou, o Amor nunca se apressa. Ele queria ficar um pouquinho mais em sua ilha. Mas, quando já estava quase se afogando, o Amor lembrou-se que não poderia morrer. Então correu em direção aos barcos que partiam e gritou por socorro. A Riqueza, ouvindo seu grito, tratou logo de responder que não iria levá-lo, pois com todo o ouro e prata que carregava temia que seu barco se afundasse. Passou então a Vaidade que também não poderia levá-lo, uma vez que ele, o Amor, se sujara por demais ajudando os outros e ela, a Vaidade, não suportava sujeira. Logo atrás da Vaidade, vinha a Tristeza, que sentia-se tão profunda que não queria a companhia de ninguém. Passou também a Alegria, mas esta, tão alegre estava, que não ouviu o pranto do Amor. Sem esperanças, o Amor sentou-se na última pedra que ainda se via sobre a superfície da água e começou a minguar. Seu pranto foi tão triste que chamou a atenção de um velhinho que passava com seu barco. O velhinho apanhou o Amor em seus braços e o levou para o morro alto, junto aos outros sentimentos. Recuperando-se, o Amor perguntou à Sabedoria quem era o velhinho que o ajudara , quando esta lhe respondeu...
- O Tempo ...
O Amor questionou: - Por que só o Tempo pode me trazer aqui? A Sabedoria então lhe respondeu:
-Porque só o Tempo tem a capacidade de ajudar o Amor a chegar aos lugares mais difíceis!
Não é preciso nem escrever moral da história, tudo ficou tão claro.
Tali Almeida
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